Testemunho - Carla J. Pinheiro

…Tais fostes alguns de vós…

I Coríntios 6:11

Vivemos num mundo de muitas conquistas. Entre elas, a democracia, que nos garante direitos e nos impõe deveres como cidadãos. Essa mesma democracia de direitos e deveres nos dá liberdade de expressão e não permite discriminação quanto à política, raça, sexo e orientação sexual. O mundo fala daquilo que tem visto; A mídia cria conceitos prórios baseados na verdade do mundo, e distorcidos pelos conceitos errôneos que nos são entregues por uma sociedade sem amor à Deus. Por isso, muitas vezes nos anulamos como cristãos quando nos perdemos em nosso próprio entendimento humano imposto por essa mesma sociedade. Muitas vezes ficamos presos às regras desse mundo e nos esquecemos da liberdade que Cristo pode nos trazer.

Antes de começar meu depoimento, gostaria de considerar algumas coisas. Você alguma vez já pensou seriamente sobre a homossexualidade, e o que Deus pensa a respeito do assunto? Você já evangelizou um homossexual com amor, esquecendo os seus preconceitos e partindo para atitude próprias de um cristão, com sentimento de amor pelas pessoas, assim como Jesus fez?

Ainda hoje, há muita dificuldade para lidar com temas ligados à sexualidade dentro da igreja, principalmente a homossexualidade, visto que esse assunto sempre foi um tabu. Com isso, muitas pessoas permanecem adoecidas na alma, com enormes barreiras que as impedem de buscar ajuda onde mais deveriam ser ajudadas – dentro da casa de Deus. Ele é a verdade que liberta de toda escravidão. Por isso, gostaria de compartilhar um pouco do meu testemunho, e de como Deus, através da verdade das Escrituras, trouxe libertação para minha vida.

Aos 4 anos de idade, perdi um irmão de apenas 3 anos, com leucemia. Isso abalou demais meus pais, que sofreram muito. Após a morte de meu irmão, meu pai, que já era muito agarrado a mim, ficou ainda mais próximo. Ele sempre me levava com ele, aonde quer que fosse. Acho que só não entrava no banheiro dos homens porque era proibido.

Quando eu tinha 8 anos de idade, meu pai costumava me levar para sua loja de automóveis. Lá, um de seus empregados sempre me levava ao banheiro às escondidas e me mostrava fotos de revistas pornográficas. Eu ficava muito assustada, e aquilo me fazia um mal terrível, mas não tinha controle sobre a situação. Um misto de vergonha e medo me impediam de contar aos meus pais o que estava acontecendo. Quando esse empregado foi mandado embora, senti um grande alívio, mas feridas já haviam sido feitas em meu coração e em minha alma.

Quando eu era adolescente, sentia um grande vazio dentro de mim e buscava algo que pudesse preencher esse vazio, mas sem sucesso. Não tinha um relacionamento muito próximo com a minha mãe, nem com a minha família. Meu pai sempre me deu muita liberdade, inclusive um carro, quando eu tinha apenas 16 anos, e sentia-se orgulhoso da minha independência. Eu saia para bares, escondida dos meus pais e comecei a beber muito. Com a bebida, vieram o cigarro e as drogas. Até os 17 anos, tive muitos namorados, sempre muito mais velhos do que eu e quase me casei. Mas por trás disso tudo, eu era uma menina muito insegura e ingênua. E essa insegurança e carência abriram as portas para que eu entrassse na homossexualidade. O vazio que eu sentia dentro de mim parecia ser preenchido nos braços de uma amiga. Era uma carência terrível. Sentia-me mais segura, ainda que emocionalmente instável. Fui ficando mais velha e me afundando cada vez mais na vida homossexual. Comecei e não conseguia mais sair. A bebida e as drogas também continuavam sendo importante parte da minha vida. Com 26 anos de idade, meu pai faleceu e eu senti muito a sua perda. Ele nos deixou em uma situação financeira muito boa, mas em 4 anos já havia perdido tudo o que ele deixou, irresponsavelmente. Nessa época, minha mãe já havia entregue seu coração à Jesus, e orava sempre por mim. Lembro-me de muitas conversas que tive com minha mãe, e de como ela sempre me contava histórias da bíblia, sem nem precisar abrir o livro. Aquelas histórias me impressionavam. Com isso, eu fui conhecendo o “Deus da minha mãe” como um Deus grande e amoroso. Minhas irmãs sempre me falavam de Jesus, mas ainda não havia chegado o meu tempo, pois achava que para mim não havia mais jeito. Mas mesmo assim, quando passava por situações difíceis, sempre pedia para minha mãe me levar em algum lugar de oração, pois ali me sentia muito bem. Deus já começava a fazer a obra em minha vida, e eu não havia percebido ainda. Muitas vezes havia me livrado da morte sem eu nem perceber.

Então comecei a ficar doente, nódulos apareceram pelo meu corpo, e no meu seio surgiu um caroço enorme. Procurei logo uma médica, e o que ela me disse não foi nada animador. Estava com uma doença que acelerava o crescimento das células, e que mais caroços iriam crescer e os que já exisitam iriam aumentar. Com isso, o câncer seria inevitável. Fiquei muito abalada com tudo isso, e ao voltar para casa da amiga que morava comigo, fui direto ao banheiro. Lá dentro, enquanto tomava banho, chorei muito e me lembrei do “Deus da minha mãe”; pedi que Ele mudasse minha emoções e minha história. Na semana seguinte, quando retornei à médica para marcarmos o tratamento, ela se espantou muito com o resultado dos meus exames – Os caroços haviam sumido. Ali pude ver a resposta e o agir de Deus.

A partir dali, algo começou a mudar em minha vida. Não sentia mais vontade de ir aos lugares de antes, aos bares, noitada, festas, mas não sabia porque. Continuava na prática da homossexualidade e ainda bebia, mas algo começava a mudar lentamente.O Senhor já me preparava para a obra que Ele tinha para minha vida.

Numa segunda feira, após eu ter me recusado a ir à uma grande festa gay, havia um recado de que um irmã de oração queria me ver. Muitas coisas tentaram impedir que eu fosse, mas a vontade de Deus foi soberana. Lá, ela me disse: “Carla, Deus tem uma grande obra em sua vida, e tem te livrado da morte. O diabo tem tentado te tirar a vida, mas Deus não tem permitido”. Meu coração ardia; algo realmente acontecia dentro de mim. Então abri meus lábios e falei: “A partir de hoje não vou fazer mais nada do que fazia antes. Quero viver uma nova vida, viver para obra do Senhor Jesus, e entrego minha vida a Ele “. Naquele dia, escamas caíram dos meus olhos, e algo me tocou profundamente. Minha vida não mais me pertencia, e um imenso prazer e uma sensação de esperança, tomaram conta do meu ser. Dali em diante, abandonei os vícios do cigarro, bebida e drogas com a força de Jesus. Também abandonei a homossexualidade, pois um processo de santificação e cura havia começado em minha alma e na minha vida. Seis meses depois da minha conversão, minha amiga também se converteu. Deus falou com ela profundamente, tocando seu coração enquanto lia a palavra de Deus em Romanos 1:18 – 26”.

“... tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”.

I Coríntios 6:11

É exatamente assim que me sinto hoje, Graças a Deus. Sei qual é a minha nova identidade em Cristo. Pude redescobrir minha família e tenho em minha mãe uma grande amiga e parceira de oração. Tenho visto nessa minha caminhada Deus fazer maravilhas. Levantar os caídos e tirá-los do vale da sobra da morte, pois Ele é Fiel. Sei também que como Jesus, nós também teremos aflições. Mas com Jesus, estamos aptos a vencer cada uma de nossas lutas, pois Ele venceu o mundo. Glórias a Deus por isso, pois nunca estaremos sós.

Sou grata a Deus por não me permitir ver o preconceito da igreja em relação à homossexualidade nos dois primeiros anos da minha conversão, pois isso foi muito importante para eu me solidificar como cristã. Espero que possamos sempre receber nossos irmãos em Cristo como Jesus os receberia.

Atualmente sou pastora auxiliar da Comunidade Evangélica Kairos. Faço parte da junta diretiva do Exodus Brasil como presidente há seis anos, e sou conselheira cristã há oito.

Sou formada desde 2002 com o curso de bacharel em Teologia e faço pós-graduação em Aconselhamento Cristão.